sábado, 2 de março de 2013

à beira da morte



mil vezes escrevi, mil vezes pensei
medo de ser mim, medo de ser visível aos outros
que se lixe
que se lixe a visibilidade
as vergonhas, a exposição às maldades
aí ao lado pensam uns: é ela!
pensam saber quem sou, enganados por recomendações, certos por palavras sãs, dedutores sem certezas
os que o sabem também sabem que os excomungaria da minha vista se o revelassem, que não perdoaria que ao mundo me expusessem...
mas
arriscarei
ainda que alguns saibam
e outros saibam sem saber
e outros, não saibam, por saber
libertarei a alma que grita
sôfrega de vida
exausta de solidão
à beira da morte por falta de vida!
não quero
não posso
não sobreviverei
um dia mais que seja
sem elixires que me acordem nesta vida

nota: ID censurada à posteriori


Sem comentários:

Enviar um comentário