Só o nome “auto-ajuda” me/nos faz fugir de um
livro, tantas são as pseudo-obras que pululam por aí com essa classificação –
juntam-se umas quase-bulas-para-(geralmente)-emagrecer com sábias palavras para
nos pôr a pensar...
Comprei, há muitos anos, um livro que li com interesse, e que forrei com papel opaco, para que se não visse o nome, pois li-o nas férias (ainda tinha disso!) em público e não queria que soubessem o que lia! Embora a lombada superior já amarelada, a capa que lhe dei continua intacta. Como ultrapassar o medo de falhar, de Petrüska Clarkson – levantando a capa que lhe dei, vejo: “para a valorização pessoal” e, a ilustrar, uma matrioska entre o surpresa e o envergonhada.
Comprei-o por me conhecer e saber que esse medo dos elogios que sempre me acompanhou me levava a, sistematicamente, distribuir louros meus (e partilhar falhas alheias), permitindo, com esse amor à sombra, que me vissem como algo que não era/sou, e o perder inúmeros caminhos abertos pelo meu saber e arte. Não o identificava com medo de falhar, mas com o pavor da ribalta, também mencionado no livro...
Vários livros foram best-sellers e todos quiseram lê-los (ainda que escondessem a capa...), o último mais falado foi “o Segredo” – que achei comércio puro, mas talvez estivesse enganada, pois, quando puseram o CD em saldo comprei, e achei as palavras interessantes e motivadoras – talvez essa ideia que tenho de dar, dar, dar, ajudar todos e não pensar fazê-lo lucrativamente, me tenha toldado o discernimento. Como me diziam três conhecimentos recentes que “espalham conhecimento” com taxas acopladas, têm de ter dinheiro para viver, por isso fazem também negócio, mas não é isso que os move!
Há poucos dias comprei algo que me puseram na mão,
aconselhando-me a ler – já havia ouvido falar dela, tinha até googlado algumas
coisas, mas não conhecia, e espero o momento para me permitir
iniciar a leitura: Pode curar a sua vida, de Louise Hay. Reforçar os
pensamentos certos é importante... Como costumo dizer, sei as receitas todas
mas, pô-las em prática, tem sido outra história...

