terça-feira, 27 de novembro de 2012

carta de amor, carta de amizade



Meu Amor,
escrevo-te porque me apetece libertar a alma. Não sei se já te disse que te aceitaria tudo, ainda que loucura fosse a razão… Quando amamos, aceitamos essas razões…
Aceitaria até que não me amasses, e continuaria a ser a tua melhor amiga (no silêncio da injustiça da vida).

Meu Amigo,
nunca usei a tua amizade como precisava – estavas tão necessitado da minha, que a dei até à exaustão; até nos dias em que tinha dores físicas ou de alma tão fortes, que precisava de um amigo como do ar que respiro… (mais!)
Mas não, embora fosses a primeira pessoa a quem confiaria o que à minha sombra não confio, não usei, não pratiquei esse outro sentido da amizade – de aí para aqui… Só deixei fluir toda a amizade que me enche o coração para ti… Estavas tu com mazelas, dei-te a força que não tinha e inventei, na minha eterna missão de ajuda ao próximo… Como podia pôr-te nos ombros pesos ou partilhas (sequer)?
Não deste por ser egoísta, pois não? …não faz mal, foi minha a decisão de te não pesar…
Ainda não entendo porque a amizade tropeçou na única pergunta que te fiz – é estranho que não sentisses que podias contar-me esse segredo maior que atormenta a tua vida… Afinal, confessaste-o a quem não merecia, e sofres até hoje, e sempre, por isso não é?
Como é perder a melhor amiga do mundo?
Do fundo da escuridão de uma solidão sem fim,
o abraço do colo que não tens
e eu nunca te poderei dar
s

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