quinta-feira, 29 de novembro de 2012

TÃ-TÃ-TÃ TÃ, TÃ-TÃ-TÃ TÃ, TÃ-TÃ-TÃ TÃ, TÃ-TÃ-TÃ TÃ, TÃ-TÃ-TÃ TÃ, TÃ-TÃ-TÃ TÃ, TÃ-TÃ-TÃ TÃ,…

Aquele ritmo ilógico de uma fanfarra, infelizmente igual às outras, impedia qualquer concentração – arruinando-me o serão! E eis, senão, quando!…tocam os bombeiros – literalmente!, ou seja, a sirene toca a fogo! 

(*O*) E finalmente aquilo ganhou interesse… quando a fanfarra se calou, e fui até à janela prevendo um momento único: uma meia dúzia de jovens corriam desalmadamente rua abaixo com enormes tambores pendurados…
O ridículo é o ilógico de não pousarem os ditos instrumentos ao pé dos restantes “músicos” e correrem leves e ligeiros!
Passados momentos recomeçou o barulho, agora de metais que sopram sempre o mesmo e apenas uns TÃ-TÃS mais ligeiros, mas foram direitos ao quartel e lá desistiram!
Não que eu não vos dê valor Bravos, mas deviam de aprumar as fanfarras. E é que ainda por cima me perseguem… - imaginem que durante décadas vivi num local onde os bombeiros faziam anos no mesmo dia que eu! Lá acordava sempre ao som da fanfarra! Umas semanas depois de me mudar descobri que a semana do meu aniversário devia ser propícia a inaugurações de corporações, porque lá vêm eles pela manhã…

terça-feira, 27 de novembro de 2012

carta de amor, carta de amizade



Meu Amor,
escrevo-te porque me apetece libertar a alma. Não sei se já te disse que te aceitaria tudo, ainda que loucura fosse a razão… Quando amamos, aceitamos essas razões…
Aceitaria até que não me amasses, e continuaria a ser a tua melhor amiga (no silêncio da injustiça da vida).

Meu Amigo,
nunca usei a tua amizade como precisava – estavas tão necessitado da minha, que a dei até à exaustão; até nos dias em que tinha dores físicas ou de alma tão fortes, que precisava de um amigo como do ar que respiro… (mais!)
Mas não, embora fosses a primeira pessoa a quem confiaria o que à minha sombra não confio, não usei, não pratiquei esse outro sentido da amizade – de aí para aqui… Só deixei fluir toda a amizade que me enche o coração para ti… Estavas tu com mazelas, dei-te a força que não tinha e inventei, na minha eterna missão de ajuda ao próximo… Como podia pôr-te nos ombros pesos ou partilhas (sequer)?
Não deste por ser egoísta, pois não? …não faz mal, foi minha a decisão de te não pesar…
Ainda não entendo porque a amizade tropeçou na única pergunta que te fiz – é estranho que não sentisses que podias contar-me esse segredo maior que atormenta a tua vida… Afinal, confessaste-o a quem não merecia, e sofres até hoje, e sempre, por isso não é?
Como é perder a melhor amiga do mundo?
Do fundo da escuridão de uma solidão sem fim,
o abraço do colo que não tens
e eu nunca te poderei dar
s

domingo, 18 de novembro de 2012

Maria(s) - a gorda e as aflitas por ser magras

Exausta, apenas por se ter levantado, entrou no edifício e logo viu a direção dos olhos da colega com que se cruzava - as suas ancas. Oh - lá voltava aquele tirar de medidas que tanto abominava!
O tempo em que esteve ausente e as mudanças de aspeto afincaram-lhes a curiosidade e agora, lá davam a miradela sempre que passavam por ela - é verdade, estava mais gorda... Porque viam os olhos alheios só a gordura; porque via neles só desprezo e regozijo, porque não via neles o entendimento das dores que a tinham feito engordar - que interessa lá isso? - nos intervalos das dietas loucas de meia maçã, de meia lata de atum com tosta singela - só tinham tempo para procurar avidamente defeitos alheios...

o peso do dinheiro

Pertenço a uma raça estranha, que não gosta de dinheiro. Sempre achei anormal as pessoas venderem a alma por uns tustos, por terem mais este ou aquele bem, que muitas vezes é só para exibir ou apregoar, que fica a um canto, que é usado de forma pouco proveitosa…

Dizem que esta crise foi fabricada para que as pessoas aprendessem como gastar o seu dinheiro e isso não me incomodou até me doer na pele – sabendo, desde sempre, que descontrolados sem inteligência económica jamais aprenderão o que quer que seja!
Oiço queixarem-se de crise, e depois falarem no arranjo do carro que foi caro e da chatice de terem de andar no carro do marido/mulher até o outro estar pronto;
oiço queixarem-se do preço dos livros da escola, mas darem uma PSP de última geração aos filhos;
oiço dizerem que o frigorífico está vazio, mas irem arranjar cabelo e unhas;
oiço dizer que a vida está cara, mas a casa de praia está para todos os fins de semana e alargamentos…
e, oiço tanta coisa… que paro de intervir em conversas sem nexo de debilitados sociais e mentais, que não fazem ideia do que é suportar camionetas que nunca foram lavadas desde que as compraram aos nórdicos, que têm peças cortantes, onde chove, onde o cheiro a pó torna o respirar uma tortura…
e dão-me vómitos os meninos com PSP e computador de última geração para inglês ver – pois é só mais uma máquina de jogos – enquanto outros vivem de carcaças desatualizadas quando tanto precisam, e estudam sem livros…
e vejo salários reduzidos, taxados, usurpados; vejo medicamentos por aviar; vejo os subsídios que serviam para pagar dentistas, sapatos-do-ano, delapidados…
Onde estou eu que não reconheço amantes da polis nessa resma rançosa de políticos de merda que só querem ser famosos e encher os bolsos de benesses e privilégios?
Sempre tive medo de instabilidade mas, PORRA – da merda de cão não passamos! Mais vale recomeçar!

Maria(s) - a gorda e a magra

- Mas o que é que tu tomaste?
- Eu? Nada, já te disse que nada!
- Tu não me queres é dizer! – Diz lá, não podes ter emagrecido assim sem tomar nada…
- Bolas! Mas, afinal, para que perguntas, se não acreditas no que digo? Porra!
- Podes dizer, sou tua amiga…
A fixação da “amiga” nas suas medidas tirava-a do sério! Sim, a mesma amiga que sempre se havia considerado mais magra que ela, apesar dos braços da grossura das suas coxas! – nitidamente, um problema de observação…
A partir dali, todos os contatos tiveram pelo meio o 
Então, ainda estás magra?”, com um tom de voz denotando o desejo de a ver baleóide, para companhia…
Amiga???
Abominou os dias em que tinha aberto a alma a alguém tão fixado num pormenor daqueles!...
…como se a vida fosse só medidas de corpo, como se a dimensão de um corpo fosse mais do que o sentir de um equilíbrio…
(primavera 2012)

os trabalhos de grupo



Não sei como é para vós mas, lembro-me dos tempos de escola na infância/juventude, em que nos davam trabalhos para fazer em grupo… - a dificuldade é que ninguém prepara(va) os alunos para isso!
Delors e os seus pilares da Educação clarificaram algumas ideias (afinal, isso da “União Europeia” serve para alguma coisa!) – mas, na prática, no nosso jardim à beira-mar plantado não se formam cidadãos com espírito colaborativo e capacidade de diálogo e respeito para com o próximo.
O meu último trabalho de grupo foi assim (licenciatura):
  • alguém teve a ideia de formar o grupo antes do prazo (+?)
  • feitos os convites e aceites (+), “alguém” atabalhoou a apresentação, esquecendo-se de quem tinha convidado (-)!!!
  • propostos e escolhidos momentos e lugares/meios (+), “alguém” quem me chagava todos os dias num deles, de repente, afinal, não sabia usar o meio (-)
  • como é costume “alguém” começou a dar ordens, sem pedir sequer opinião dos restantes elementos do grupo (---------)
  • “puxadas as rédeas” à carroça, arrumaram-se “os bois” que iam atrás e seguiu o cortejo (…)
  • perdido um ror de tempo a afinar agulhas (-) (mas, afinal, também é para aprendermos coisas  que trabalhamos em grupo(+)!) viram-se resultados (+)
  • contudo, ao longo dos momentos de trabalho, alguns davam desculpas como (-)  precisarem de fazer coisas e terem vida – como se os outros fossem extraterrestres!
Aquela coisa chata que acaba por acontecer, que é os que “até têm umas luzes” do funcionamento da coisa (“de espírito colaborativo e capacidade de diálogo e respeito para com o próximo”) tentarem dar um alicerce ao trabalho [se forem como eu, tentando manter-se na sombra], muitas vezes cai em saco roto, e o carro à frente dos bois com autoritarismo é bem melhor aceite, ainda que a direção esteja errada…

os trabalhos de grupo…
…às vezes, são o cabo dos trabalhos!

Quando os homens se fazem de mortos...

Sabem, quando aqueles amigos, com quem desenvolvemos uma empatia agradável, e com quem até nos encontramos/com quem falamos frequentemente, e que… desaparecem
Pois, por vezes damos pelos sinais…
É que, quando cometi aquela inconfidência sobre nós, mulheres, e a nossa diferença ser sermos mais seletivas… Também somos mais fortes a resistir a atracões…
Homem “ocupado” é  caso de esquecer “algo mais”… mesmo quando a vontade vem do céu, fazemo-nos de mortas.

Já eles, de onde quer que a vontade venha, somos nós as penalizadas, porque eles fogem, cagadinhos de medo, que não sentem ter forças para resistir – abandonam, desertam, fruto dessa incapacidade para prosseguir uma relação de simples companheirismo, ou de amizade, por mais forte que ela seja, com medo da tentação…  
Cresçam!
 OK, estou a generalizar;OK, a situação tem aplicabilidade a amigas mulheres;OK, etc.

olhar o céu.........



Afinal,
onde está o céu?...

Será que ele existe?
...vivemos tão mergulhados, de olhos no asfalto, na corrida, nas vidas tristes que não temos força para alegrar...
...que não levantamos os olhos...
 (͡๏̯͡๏)