Quando
me pousou o documento em cima da secretária – uma vez mais, como os fracos
sempre fazem – a minutos do final do horário de trabalho, dizendo com o
higiénico “por favor”, para assinar e devolver…
…respirei calmamente (afinal era o meu
primeiro dia, depois de férias tiradas para descansar das más companhias do
trabalho!), olhei para aquilo vagamente, e fui ter com ela, pedindo,
educadamente (também eu sou muito “limpinha”), que me desse uns minutos.
Três quartos de hora depois, eu havia dito
tudo quanto estava encravado da garganta ao reto, na consciência perfeita de
que nada havia mais a perder, e sentia-me bem leve! (só quatro meses
depois, descobri que, afinal, a sala de reuniões tinha paredes bem mais finas
do que julgava, e os colegas sabiam fazer silêncio, quando queriam… - ou seja -
fiquei mais leve ainda…)
À distância, posso acrescentar que o pior
defeito será o esquecimento… Ainda que as pseudopessoas reajam às verdades
ouvidas do outro lado da mesa, da porta, da parede… rapidamente esquecem, e
voltam aos maus hábitos assumidos como normalidade.
Mas relembro a ideia-chave daquele livro de
Desmond Morris (que cometi o erro de emprestar! – e perdi!): os primatas dão o
rabo para obter Paz, rebaixam-se, por terem medo (generalizem sabiamente, sem
esquecer que ele se refere aos primatas em geral; não engulam a ideia como
escatologicamente* é costume) … Ora, mostrar medo não é o melhor nesta selva em
que vivemos, mesmo quando são os outros que supõem
o medo na indiferença do nosso cansaço – o respeito parece surgir só quando
damos voz aos direitos que sempre tivemos!
Tentem ser
pessoas, por favor,
com alma
*e este
escatológico é mesmo de rabo e fezes, e não de tempos perdidos ou confins de
mundo

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