domingo, 10 de junho de 2012

Os pés na parede

Quando me pousou o documento em cima da secretária – uma vez mais, como os fracos sempre fazem – a minutos do final do horário de trabalho, dizendo com o higiénico “por favor”, para assinar e devolver…


…respirei calmamente (afinal era o meu primeiro dia, depois de férias tiradas para descansar das más companhias do trabalho!), olhei para aquilo vagamente, e fui ter com ela, pedindo, educadamente (também eu sou muito “limpinha”), que me desse uns minutos.

Três quartos de hora depois, eu havia dito tudo quanto estava encravado da garganta ao reto, na consciência perfeita de que nada havia mais a perder, e sentia-me bem leve! (só quatro meses depois, descobri que, afinal, a sala de reuniões tinha paredes bem mais finas do que julgava, e os colegas sabiam fazer silêncio, quando queriam… - ou seja - fiquei mais leve ainda…)

À distância, posso acrescentar que o pior defeito será o esquecimento… Ainda que as pseudopessoas reajam às verdades ouvidas do outro lado da mesa, da porta, da parede… rapidamente esquecem, e voltam aos maus hábitos assumidos como normalidade.

Mas relembro a ideia-chave daquele livro de Desmond Morris (que cometi o erro de emprestar! – e perdi!): os primatas dão o rabo para obter Paz, rebaixam-se, por terem medo (generalizem sabiamente, sem esquecer que ele se refere aos primatas em geral; não engulam a ideia como escatologicamente* é costume) … Ora, mostrar medo não é o melhor nesta selva em que vivemos, mesmo quando são os outros que supõem o medo na indiferença do nosso cansaço – o respeito parece surgir só quando damos voz aos direitos que sempre tivemos!

Tentem ser pessoas, por favor,
com alma

*e este escatológico é mesmo de rabo e fezes, e não de tempos perdidos ou confins de mundo

Sem comentários:

Enviar um comentário