sábado, 28 de abril de 2012

ser pessoa

Nasceste
para ser pessoa;
mas, aprendeste
a esconder o rosto...
Julgaste,
toda a vida,
ser normal
o hábito herdado
do uso obrigatório
desse véu total
que te cobre,
que te esconde;
que esqueçeste
como é seres tu.
A sombra,
que sempre projetaste,
tapa, até dos teus olhos,
aquilo que és...

Liberta-te!
Sorri,
porque queres!
Fala,
aquilo que pensas.
Desteme,
o olhar e a censura,
e vive
por isso nasceste...

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Licenciados II


Ao longo da minha vida, fui conhecendo inúmeras pessoas que, tendo um curso superior, se revelavam absolutamente impreparadas para a vida, sendo a sua visível lacuna de formação, muitas vezes, em aspetos fundamentais para o desempenho da função para a qual, supostamente, tiveram formação superior.

Confesso que só há curtos dias consciencializei, efetivamente, que a culpa não era deles!

Não, não foi o Marinho Pinto que me abriu os olhos… - conheci, sim, muitos docentes do ensino superior, e pude avaliar as suas (in)capacidades e, acima de tudo verificar como a forma de avaliar alunos é… incompleta, inconsistente, inválida, muitas vezes - e pelo facilitismo a que esses docentes se permitem, para que o tempo que perdem a exercer a sua profissão não incomode a sua vidinha…

No nosso país tudo falha pela falta de capacidade de levar em frente as grandes ideias que temos; legislamos, e, depois, com aquele complexo do tempo da outra senhora, não fiscalizamos o cumprimento, porque verificar se se cumpre a lei é feio, é ser pidesco, etc.

No professorado, vive-se entre a chaga da perda de estatuto de intocável (o desrespeito indevido de alguns por uma profissão tão importante), e a chaga da infelicidade da sua manutenção, à custa de incautos alunos (e pais, se falamos do EBS) que não sabem exigir o cumprimento dos seus direitos!

Quando um aluno torna visível uma falha – automaticamente é abusado pelo espírito maligno do professor que defende a sua posição de alto de pedestal, com a arrogância dos incompetentes! – penalizando, desmotivando, marcando para a vida,…

Ora eu, não entrei para a faculdade com 17 anos… (mas nessa idade já tinha raciocínio q.b.!), e surpreende-me, mais do que a incapacidade de alguns professores, o facto de outros, que poderiam ser bons profissionais do ensino, serem umas maria-vai-com-as-outras, e deixarem de fazer bem, perpetuando e agravando a incompetência da classe! – Para esses o meu pedido: cumpram!

Não posso esquecer que as palavras que um dia uma (efetivamente) professora me disse: que eu poderia fazer o curso que quisesse… – sabe, estou infeliz por saber que sim…Por um lado, perdi anos, e já poderia fazer [quase]todos os que me agradavam e me deixaram indecisa; por outro… o saber que os posso fazer sem grande esforço… deixa-me… insatisfeita.

Licenciados I


A organização social atual está estruturalmente desregulada!

Nós, seres sociais, fomos aprimorando as estruturas sociais – sendo, na atualidade, os organismos estatais e as autarquias locais entidades institucionais que, talvez longe de aprimoradas, são máquinas pesadas, onde, na grande maioria dos casos, um funcionário não sabe informar sequer o que se faz na sala ao lado – são desreguladas por terem poeira do tempo nas engrenagens, por falta de chefias competentes que os rentabilizem.

Agora, em plena crise financeira, as autarquias – ou seja, aquelas entidades que deveriam trabalhar na prossecução do bem-estar das populações, são um verdadeiro risco para estas, pois, há falta de fundos e, então, todas aquelas licenças que são tantas vezes ridículas, pelo trabalho que dão, sem qualquer benefício, são exigidas e, se algum cidadão incauto não sabe de cor que tudo é regulamentado e passível de licenciamento – lá incorre em coimas, por vezes muito para lá do que lhe seria possível pagar – sendo que (cereja no topo do bolo), na atualidade, contribuindo para a crise, as autarquias procuram resolver a sua própria crise de financiamento com uma verdadeira caça à coima…

E você, está licenciado?

sábado, 7 de abril de 2012

diário de uma mulher normal, 7 abr

acordei, era dia e o relógio marcava 7 horas; fiquei confusa: da “noite” ou da manhã?
gelada, lembrei que me ia levantar, depois de tentar dormir uma sesta sem sucesso, que deixei no pc o Toy Story 2 começado há não muito e pensava em como fazer açorda de gambas só-p’ra-um…
…o hino da rtp rodava de seguida, a imagem já tinha fugido, e eis que se ouve aquele programa horrível do fim de tarde – é isso, aquele relógio estava em AM/PM, e é de tarde! Não sei quantos minutos dormi, mas foi profundamente, tanto que o meu coração ressalta, ao voltar ao ritmo de acordar… e o que menos me apetece é comer, quanto mais pensar em açorda e camarão!
liguei o aquecedor e sentei-me no pc, a procurar meridiano que me desse ritmo, e calmia ao ritmo ressaltado…´
na dois, que consigo por vezes ver no pc, a Laurinda traz o Paulo Lameiro, que ajudou no ritmo, mas o frio… (deverá ter de ser a chá… ou açorda!)

quarta-feira, 4 de abril de 2012

ombro

Não sei quantas vezes foquei a amizade, mas, é algo tão importante, que devemos tê-la presente… de preferência, praticando…
Os meus amigos, desaparecem por períodos mais ou menos longos e, na volta, sentem necessidade de se justificar – é a vida, são os problemas… Eu, que acho que os problemas fazem parte da vida, e que a amizade inclui tudo isso, arranco a carraça da orelha, porque de nada me adianta ficar com ela, mas, fica lá o mal, e, fica também essa contínua necessidade de fingir que estou bem, sempre bem, pois, se lhes dou ombro e alma quando precisam, não me vejo, no estado meu atual perante a amizade, a chorar-lhes no ombro. Quando até falo de um qualquer problema que viva, faço-o com a ligeireza necessária ao não despertar de piedadezinhas (que entre amigos não deveriam ter lugar!).
Hoje, acabei um trabalho importante com lágrimas nos olhos; com um daqueles problemas que nos deixam sem saber como é o amanhã, e, ainda assim, embora no horizonte não se vejam luzes, embora no firmamento não haja estrelas, embora na alma não haja objetivos – fi-lo! Para quê? Ainda não achei um porquê no alucinante ritmo do desviver…

...elogio ao amor, e à amizade também ;)...

terça-feira, 3 de abril de 2012

da galinha e do coelho?

Páscoa

Não sou religiosa, ou, direi melhor, não sigo qualquer dessas práticas ligadas a deuses grandiosos; prefiro considerar os seres humanos, as almas e seu poder, como um valor grandioso… Mas, nestas épocas que são, sobretudo, momentos de família e momentos a aproveitar para um exercício de introspeção, renovo a esperança de que, à minha volta, as pessoas, efetivamente pensem!

A maioria das pessoas, ainda que com lapso de autoestima, consideram-se boas, boa gente… mas, quando toca a analisar o próximo, quase todos se esquecem de lhes reconhecer as qualidades – ora eu, sempre funcionei ao contrário: sempre desculpei todas as más atitudes, sempre encontrei um justificativo para más palavras, sempre achei que, noutras circunstâncias, aquela pessoa, que está, naquele momento a ser vil e odiosa, o está a ser por um qualquer acaso que passará, e dará espaço à verdadeira boa pessoa que está dentro dela, e que merece um sorriso também…

MAS, aprendi, nas agruras da vida, que muitos se esquecem de quem são – e passam a ser execráveis a tempo inteiro; aprendi, que numa constante necessidade de proteção dos seus valores materiais e ocultação de incapacidade de realização, até os menos-maus entraram há muito no ciclo sem saída de ódio e desumanidade…

Por isso tudo, venho, nesta época que é de páscoa, de suposta paz, de família, pedir-vos um favor: nem que o façam por uns minutos apenas, pensem – pelos que vos rodeiam (que merecem), por vós (para que não se esqueçam de quem são), pela humanidade (sim, a Humanidade, essa coisa que parecerá tão cliché, mas) que somos todos nós, e MERECEMOS UMA OPORTUNIDADE!
alma minha