segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

amei?

Ó céus!
nunca amei ninguém?
Sim, porque o senti,
o quis
o achei ter encontrado
Não, porque o não tive,
se o não vivi
que só dois constroem o céu
E dois, ainda que face-a-face
podem estar tão longe
que, ainda que se sintam
se não veem
se não decidem
a viver o que merece
sempre
ser escolhido
Ora,
quão cegos somos,
por querer
Não vale mais viver?

domingo, 16 de fevereiro de 2014

espero



ainda existem dias
longos demais
mais do que deviam
aguardando que apareças

espero-te em cada passo
como promessa de um universo
que me deve a felicidade

espero-te em cada olhar
como luz que me permita ver
toda a beleza que me rodeia

espero-te em cada sussurro
que a vida me traz aos ouvidos
no meio do ensurdecer

espero-te em cada sopro
de ar no meu respirar
nulo na solidão

...um autor,

que os livros não lhe li.
(corre vida corre, acho que te vou deixar correr sozinha!)
Mas, a vontade foi hoje despertada.

http://www.dn.pt/revistas/nm/interior.aspx?content_id=2978102&fb_action_ids=10202203746949176&fb_action_types=og.likes&fb_source=other_multiline&action_object_map=[513003108720260]&action_type_map=[%22og.likes%22]&action_ref_map=[]
 
Ele é mesmo assim.
É mesmo um poeta.
 (diz António de Castro Caeiro, professor de Filosofia e Grego na Univ. Nova de Lisboa,
 melhor amigo do escritor) 
Paulo José Miranda, o poeta exilado,
O escritor que perdeu a pátria

...e convido-vos a ver o trabalho de Joana Emídio Marques, no Notícias Magazine     (clicando na foto)

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

mentes brilhantes

Em certos os casos, quanto mais nobre o génio, menos nobre o destino.
Um pequeno génio ganha fama,
um grande génio ganha descrédito,
um génio ainda maior ganha desprezo;
um deus ganha crucificação.
Pessoa dixit

Nunca entendi essa forma nacional aberrante de massacrar todos os que conseguem aprender, sequer, aviltando-os como se fossem eles os errados, pois a mediania do dézinho é que se pretende, neste país…
Já nos meus tempos de pós-6.º ano, em que já tinha alguma consciência de mim, me vi obrigada a descer notas para não ser agredida pelos colegas… E os professores, lá, como agora… promovem o tal de dézinho, buscando, avidamente, erros-de-aluno no mais perfeito dos trabalhos – porquê? – acho que têm uma necessidade compensatória de status (status que deveriam ter de outra forma! e a estúpida sociedade em que vivemos não dá à classe…) que se reflete na não-aceitação de competências em alunos/estudantes…
Se todos são diferentes, muitos, como eu, apenas conseguiam sentir que não valia/vale a pena… - e, em última instância, não vale, mesmo, a pena lutar por notas! - Vale a pena lutar pelo saber!
Se, aparte este desvio ao mundo dos que não considero génios ou sobredotados, sequer – mas apenas normais que não se deixaram ir na leva de ignorantes, pensarmos nos que veem um pouco mais além, por, efetivamente, terem uma aptidão, por vezes absolutamente excecional, para uma qualquer arte ou área, então… vemo-los serem agredidos como são os outros excluídos por uma qualquer deficiência. (Diria, num outro aparte, que nenhuns deveriam ser excluídos, pois a sociedade somos todos nós.)
Se perder qualquer um é mau, quando falamos de mentes brilhantes como é possível? Como é possível achincalhá-los, pisá-los, empurrá-los para um outro país, apenas porque sabem pensar?