quando olho em redor, vejo uma imensidão de
pessoas sós
algumas conversam, aglomeram-se brevemente
mas
acho que, provavelmente, deveria estender ao
limite possível e desagradável, aquela expressão que ouvi: as comunidades
não existem, formam-se momentaneamente, fruto de necessidades ou
circunstâncias…
e, o problema, é que parecemos padecer de um
medo tão grande dos outros e das circunstâncias, que qualquer comunidade é
ténue, lábil, e pode ser desfeita com um simples estalar de dedos, ou, melhor
diria, com um insignificante lapso de comunicação (os media de
comunicação podem levar a isso: e-mails, plataformas sociais on-line
e até espaços físicos de momentos de encontro e, até, a trica ou mexerico a que
se dá credibilidade num mar de conversas fúteis, ou fruto de mentes inseguras
que espalham ódio para colher frutos amargos e estéreis…)
não investimos em relação humanas
mas, dependemos delas,
são tão importantes como o ar que respiramos
mas fugimos
fugimos de pessoas
e morremos
todos os dias um bocadinho
de solidão
escolhida ou imposta
por este estado de ser
humano
imagem: "Finding Peace in Solitude" by Si2
in: http://disjointedthinking.jeffhughes.ca

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