Há poucos dias falava com alguém que me dizia que Portugal vai partir
para a revolução nas ruas, e que vamos ver sangue correr... Esperaria eu que
não, que apenas fosse necessário que as pessoas parassem, pensassem, e vissem
que não há hipótese de sobreviver num país destruído, onde não existe, sequer,
a segurança de que qualquer obra, futuro, segurança erguidos ou conseguidos com
trabalho e perseverança, ficarão lá depois do político ir mijar com ela
apontada para outro lado e mudar de ideias ou ter mais uma das suas brilhantes
ideias de quem sempre viveu apajeado por papás e com cartão de crédito da
empresa e carro e motorista, e não faz a mínima ideia do que a vida é
[condição essencial para se ser "trabalhador pela Polis"]...
Dos "políticos", e pela má vida que tiveram, ou pela falta de
memória, reza a história terem pouca capacidade para a matemática simples: ora,
pegando num vencimento "normal", que, para "ricos" que não
têm direito a isenções, abonos legais diversos, estava abaixo ou pouco acima de
mil euros (estava, AP*, que DP* está abaixo ou pouco acima dos 500 €),
retirem-lhe os impostos todos [aqueles que em Portugal não são desejados, porque
não servem para nada de jeito, uma vez que os "serviços estatais" só
funcionam no papel e os "serviços privados" são empresas de amigos
que andam a encher o bandulho, subcontratados para substituir, com igual falta
de esmero, os ex-serviços públicos] - ainda que lhes passem a make-up de um
duodécimo-de-merda, terão de descontar coisas que não fazem a ideia de que
existem... passes de transportes públicos, renda/prestação ao banco, água (com
taxas violentas de salubridade acopladas, apesar de caixotes de lixo nojentos e
ratazanas e baratas a invadirem as casas!), eletricidade, gás, comida (SIM, os
pobres compram comida!, não pagam com cartão de crédito, não têm conta da
empresa ou de função no restaurante de luxo - e ela está cara... custa mais ou
menos, para todo o mês, aquilo que vocês gastam quando jantam com
amigos-da-cor, ou os vossos lindos filhos inúteis gastam numa noite de
farra...), descontem a conta da farmácia (que, devendo ser quadriplicada nos
últimos meses, por mazelas derivadas da exaustão ou de falta de tratamento
anterior, por falta de dinheiro, teve de ser esquecida… até ao dia que se vai
para o hospital, por se cair para o lado e não poder evitar a maca – e a conta),
podem até descontar certidões e impressos anormalóides (exemplo: sabem que o
#!$&?@?# [ladrão foi o adjetivo mais suave de que me lembrei...] do Ulrich
pede 50 € por um papel com uma frase a dizer quanto uma família paga de
prestação da casa para.................................. a família apresentar
para pedir bolsa de estudo para os filhos??? SIM, 50 €, e garanto que as
declarações que me passaram pelas mãos são escritas por funcionários que nem
uma simples frase sabem escrever sem erros de ortográficos ou gramaticais!)…
E, sim – as pessoas normais têm de tratar de mil papéis e declarações
sem sentido, para provar de forma burocratóide o que é evidente ou facilmente
confirmável pelos serviços que as exigem, têm de ir marcar consultas na fila,
porque os serviços não sabem usar ou nunca ouviram falar em marcações por formas
alternativas (até houve um senhor que inventou o telefone… se mais não for do
seu conhecimento…)
Pois...
A vida normal, é assim!
*AP/DP –
antes/depois do PSD ou do Passos, como preferirem…