quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Maria(s) - Interlúdio de sons

O rio está sereno, e o restolhar das árvores confunde-se com o aspersor, que vai e vem sobre o verde da relva. Exausta, tenta recuperar a frescura da manhã, depois de meio dia de trabalho desconexo; apenas algumas conversas em sussurro, nas poucas mesas ocupadas, e um ou outro som da civilização, interrompem a pausa.
Não procurou as companhias do costume, no café da manhã sentiu-as tão desconexas como o trabalho, e não as quis - antes a paz na solidão...
Desejou a tarde de trabalho curta, para poder aproveitar produtivamente o resto do dia.
Os pardais passeiam na relva e as andorinhas novas treinam o voo. Mas não consegue evitar o pensamento do trabalho que a espera, que terá de fazer à medida das instruções dos que o não sabem fazer, e transformam minutos em dias... - O desânimo agravou-se com a notícia de mais uma porta que se fechou numa escondida alínea da lei feita para isso mesmo, vedar caminhos - ficou mais escuro no fundo do túnel... mais impossível fugir daquele trabalho.
Respirou fundo, carregando forças para mais desconexão... e deixou o verde e o azul, caminhando para o cinzento...

Sem comentários:

Enviar um comentário