domingo, 30 de setembro de 2012
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Maria(s) - Interlúdio de sons
O
rio está sereno, e o restolhar das árvores confunde-se com o aspersor, que vai e
vem sobre o verde da relva. Exausta, tenta recuperar a frescura da manhã, depois
de meio dia de trabalho desconexo; apenas algumas conversas em sussurro, nas
poucas mesas ocupadas, e um ou outro som da civilização, interrompem a
pausa.
Desejou a tarde de trabalho curta, para poder aproveitar produtivamente o resto do dia.
Os pardais passeiam na relva e as andorinhas novas treinam o voo. Mas não consegue evitar o pensamento do trabalho que a espera, que terá de fazer à medida das instruções dos que o não sabem fazer, e transformam minutos em dias... - O desânimo agravou-se com a notícia de mais uma porta que se fechou numa escondida alínea da lei feita para isso mesmo, vedar caminhos - ficou mais escuro no fundo do túnel... mais impossível fugir daquele trabalho.
Respirou fundo, carregando forças para mais desconexão... e deixou o verde e o azul, caminhando para o cinzento...
domingo, 23 de setembro de 2012
toque personalizado
Tinhas um toque personalizado no meu telefone, eu sabia sempre que eras tu a ligar, e fazia um sorriso, pensando: o que quererá agora esta maluca!?... Como me ligavas a horas sem horas, tinha muitas vezes de dirigir-me a local mais apropriado para te atender e tinha, também, que encurtar as nossas conversas, porque as obrigações as adiavam até horários mais tardios...Porque me lembrei de ti agora? – coloquei os phones para abafar o silêncio do gabinete, e “a tua música” surgiu-me, pretending that you steel around...De tudo, só sobra a felicidade de não ouvir a parte dos contatos que começavam com as lágrimas de um qualquer sofrer precisando de ouvidos, esperando que seja por eles não existirem (os sofreres)...A amizade pode ser cega de encontros, mas não pode ser surda de palavras.
Dizem alguns que uma amizade persiste, para além do afastamento.
Não penso assim, pelo menos quando a capitulamos:
A amizade pode ser cega de encontros, mas não pode ser surda de palavras.
Ainda que um Amigo esteja fisicamente longe, a sua alma, suas palavras, podem estar bem perto; podemos falar na ponta da caneta (se recusarem a realidade da tecnologia), na ponta dos dedos, na boca e ouvidos, ou no quase-tudo que hoje temos disponível (pela tecnologia, essa mesma)...
A vida não deixa?
- tem de deixar, ou não é vida!
Resta saber se queremos esse amigo;
resta saber se nos lembramos se queremos esse amigo...
- temos de fazer com que a vida deixe!
O ser humano é um ser social - Sê, simplesmente...
Can anybody find me...
Could anybody find me...SOMEBODY...para ACREDITAR !...
Onde fica Maratona?
Vejo todos correr,cansar-sefugir...como se a vida fosse para esquecer, apenas;vejo-os lembrar-se, por vezes,que a vida existe;esquecer-se, nas redes,que têm de a viver;enleados nas redes,não respiram,não sorriem,não se dão,não são!Move-te um pedaço de cada vez,desenleia-tesolta-te,sê!
? [Maratona]
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Alfarrecas
-Descobri algo muito importante!-
- 1 - uma nova espécie animal, jamais registada, sendo a sua mais espetacular caraterística as capacidades trepadoras. Trepa da água até bem alto - ora, como exemplo, imaginem o tejo em maré baixa, e a altura até aos passadiços! Foi avistada por uma adolescente, ontem, no passadiço do Parque das Nações, em Lisboa (entre o oceanário e a zona mais a norte) e eu estava lá!
- 2 - que os adolescentes portugueses são uns ignorantes, apesar da obrigatoriedade de estudo por 12 aninhos! - Não só não sabem como se chama um animal vulgar em Portugal, aquático e que apenas tem forma e a sustenta nesse ambiente, como acham que o bicharoco trepa e espreita entre as tábuas, para ver quem passa...
só uma das descobertas anteriormente divulgadas é válida, digam lá qual acham que é...
...existem mesmo Alfarrecas...
ou
...a Educação em Portugal é... - nada do que devia ser!
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É que, quando procurei uma imagem com a palavra alforreca, achei este animal (um pouco mais estranho que uma alforreca, a meu ver, mas isto sou só eu a opinar - e eu até acho as alforrecas lindas!):domingo, 2 de setembro de 2012
palavras
amo as palavras
são sentires
são caminhos
ideias largadas
se umas felizes
outras espinhos
são comunicação?
imaginará quem lê
Maria(s) - Uma força que se escoa…
Porque é uma força de trabalho, pensei começar chamando-lhe “working girl” mas, como não é só a língua portuguesa que é traiçoeira…
Começou
a trabalhar cedo demais e horas demais - sempre a conheci expedita, eficiente,
pronta para trabalhar e, ainda, concedendo um sorriso aos que com ela lidavam
nas suas funções. Era de tradição familiar não seguir estudos, nem mesmo os
habituais numa classe média-baixa, depois obrigatórios, mas ela era a que mais
trabalhava, sem parar – nos empregos que a não-escolarização lhe permitia.
De
alguns casamentos sobram cicatrizes e filhos, de outros mais cicatrizes de
desrespeito e desprezo.
Quando
a crise da moda também lhe chegou, já
o casamento estava a sofrer, mas aconteceu o inexplicável: ser-lhe cobrado o
estatuto de desempregada, logo a ela, que tanto havia trabalhado desde sempre! –
o “vai mas é trabalhar”, o “não fazes nada todo o dia” (!???), o ridículo
combate a essa força que ganhou para ir estudar de novo (achei que não só por
ela, mas também um exemplo para o filho, já levado na tradição familiar) – mantido,
ainda, quando a estúpida decisão governamental a obrigou a fazer formações para
manter o subsídio de desemprego – ora, o seu companheiro achava aquilo um
desperdício! (Medo que ela possa “ser mais do que ele”?)
Sorriu
quando me disse que tinha já o diploma do secundário, estava feliz, mas, rapidamente,
o canto dos seus olhos humedeceu, quando me confessou que nada melhorara com o
companheiro e não podia, ainda, fugir do sofrimento das recriminações que se
juntaram, desde o desemprego, às comparações depreciativas com as belas e
eficientes 'colegas' pelo companheiro…
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