segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Maria(s) - exaustas...


Maria(s)

Não me digam que as mulheres têm vida fácil, que o mundo já mudou e temos direito a ser pessoas, a descansar quando o corpo ou mente pedem, a ser felizes sem a carga extra de tudo o que nos põem a pesar nos ombros[1]...

Não me digam que não tentam saltar-nos para cima por dá cá aquela palha, como se existíssemos só para cumprir os desejos e pulsões, tão pouco dominadas pelos cérebros masculinos pouco evoluídos[2]...

Como sirvo de ombro a muitos, e muitas vidas vi e ouvi, tenho as minhas psicotipas de estimação, as minhas Maria(s) que sofrem e sorriem, que batalham e vão sobrevivendo… as lágrimas de sangue, de suor, de felicidade merecida… - e persisto nesse arcaísmo da escrita, do comunicar, do sentir -do pensar- como se tivesse o direito de ser humana… - vou libertar algumas histórias e memórias…

Das Maria(s) descobri a caraterística mais comum: exaustas – é um adjetivo quase unânime! E, se nos mantêm exaustas, como pode o mundo avançar?

...Não me digam que há seres humanos preocupados*, porque tentei encontrá-los e todos acabaram por me desiludir… até os que pareciam ser pessoas – e de gente, estou exausta![3]temos de saber quando desistir de ser colírio em olhos alheios...


[1] …a mudança foi os homens já não terem de provir o sustento, mas poderem continuar a encostar-se no sofá e as mulheres terem acumulado o sustentar financeiramente a todos os outros sustentares…
[2] notem que não disse “pouco evoluídos cérebros masculinos”, mas que limitei aos “cérebros masculinos pouco evoluídos” (aqueles que nem isso vão atingir)!
[3] Ora, também eu sou Maria, de nome e género (que se digo, como coloquialmente, “sexo”- lá vêm os tresloucados ao meu blog!)…

*e ps - se os há, acusem-se

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