Maria(s)
Não me digam que as mulheres têm vida fácil, que o
mundo já mudou e temos direito a ser pessoas, a descansar quando o corpo ou
mente pedem, a ser felizes sem a carga extra de tudo o que nos põem a pesar nos
ombros[1]...
Não me digam que não tentam saltar-nos para cima por dá
cá aquela palha, como se existíssemos só para cumprir os desejos e pulsões, tão
pouco dominadas pelos cérebros masculinos pouco evoluídos[2]...
Como sirvo de ombro a muitos, e muitas vidas vi e ouvi,
tenho as minhas psicotipas de estimação, as minhas Maria(s) que
sofrem e sorriem, que batalham e vão sobrevivendo… as lágrimas de sangue, de
suor, de felicidade merecida… - e persisto nesse arcaísmo da escrita, do
comunicar, do sentir -do pensar- como se tivesse o direito de ser humana… - vou
libertar algumas histórias e memórias…
Das Maria(s) descobri a caraterística mais
comum: exaustas – é um adjetivo quase unânime! E, se nos mantêm exaustas, como
pode o mundo avançar?
...Não me digam que há seres humanos preocupados*, porque
tentei encontrá-los e todos acabaram por me desiludir… até os que pareciam ser
pessoas – e de gente, estou exausta![3] …temos de saber quando desistir de ser colírio em olhos alheios...
[1] …a mudança foi os
homens já não terem de provir o sustento, mas poderem continuar a encostar-se
no sofá e as mulheres terem acumulado o sustentar financeiramente a todos os
outros sustentares…
[2] notem que não disse
“pouco evoluídos cérebros masculinos”, mas que limitei aos “cérebros masculinos
pouco evoluídos” (aqueles que nem isso vão atingir)!
[3] Ora,
também eu sou Maria, de nome e género (que se digo, como coloquialmente, “sexo”-
lá vêm os tresloucados ao meu blog!)…
*e ps - se os há, acusem-se
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