quinta-feira, 22 de março de 2012

Dura

  Dura


Dura, tão dura
a vida, que dura, perdura,
que bom que ela dura
ainda que dura
macia seria
suave a correr
darias por ela
mereceria viver?


É dura, e dura,
só dura de sal
tempero do ameno
que vale o sentir…
É dura?
que seja!
só assim é bom
que dure, perdure,
com sonhos a conquistar…


E dura
e é dura
é vida
é lutar!
Pura!

quarta-feira, 21 de março de 2012

As armas, e os barões

As boas almas, nada têm que as assinale: não têm símbolo, título, auréola… Verdade seja dita, que, aos olhos do povo, as boas qualidades humanas passam ocultas; afinal, parecemos viver apenas envoltos nessa última palavra d’os Lusíadas… - e cegos a verdades e qualidades!

Da escola ao trabalho vivemos essa exacerbada competição, que tudo estraga: não há companheirismo, entreajuda; amizade é um jogo de risco; amor é lotaria… - tudo isto num enrolar de erros que nos fazem a vida impossível e infeliz!

Não há muito, ouvi de uma boca improvável (um economista!) que competição faz vencedores e vencidos, enquanto colaboração conduz à excelência! Sempre foi para mim incompreensível esse viver de costas voltadas… se ninguém lucra, qual é o sentido? – E julgo que ninguém lucra porque, mesmo aqueles que se sentirão vitoriosos, acabam por morrer na praia da solidão…

A desconfiança, fruto dessa competição, faz com que nada arrisquemos, com a dúvida que nos persegue… mas, aí, lembro-me de ter lido algures esse conselho de que devemos confiar – se a confiança não for merecida, sofremos, mas, só aí… e não afastamos todas as outras hipóteses de finais felizes!

E, afinal… não somos um animal (profundamente, e necessariamente) social?

Crê!

Os Media em Portugal


Vivo neste país à beira mar mal plantado, e, confesso, não consumia muita televisão… Era mais o acompanhamento das lides caseiras, e, quando a alma ou o corpo exigiam à falta de tempo, uma série do 2.º canal, um dos bons documentários; mais certo, só mesmo um serviço noticioso… - mas… estou seriamente tentada a considerar a falta de televisão como elemento importante na incapacidade de me situar na semana de que tenho sofrido!

E isto para introduzir essa catástrofe nacional: em tempo de grande crise económica, todos os portugueses que quiseram continuar a ver televisão (e ainda não estavam no magote dos que não passam sem a sporttv, e por isso já tinham cabo) foram forçados a um gasto extra para isso!

Ora eu, que já tava tão fraca de tempo… não fui por aí; mas, aparte a manobra de má fé, que, ao invés de preparar uma transição para nova tecnologia, preparou uns quantos amigos para disponibilizarem os serviços adequados de adaptação aos pacóvios dos portugueses, sinto, sobretudo, que não devo pagar esse tributo! – Quanto aos “amigos”, enchem o bolso; e, atrás deles vão alguns empresários liberais que tiveram olho para a coisa… porque isto é o aparelhosinho, o cabinho axialzinho que já tava sequinho, a antena que, coitadinha, de bacalhau passou a chifre de veado (p’r’aí!), o amplificadorzito… e, tantas vezes, tudo isso só encheu bolsos porque, no fim, lá se foi ao cabo, que outra solução não dava!

Ora, país bom para enriquecer!

terça-feira, 13 de março de 2012

Morfeu


Não sei porque me queres tanto…
- nos últimos dias, semanas, vejo-te desejar-me sofregamente;
mas, não sabes que não posso lançar-me na cama assim, a qualquer hora?


Como seria bom, dar cumprimento aos desejos!
- dentro dos lençóis, em cima da coberta, no sofá – em qualquer lugar…
Oh, como te desejo!


Imagino-me nos teus braços tantas vezes ao longo do dia…
- não chegam as noites, para dar por cumprido o nosso encontro,
são curtas, começam tarde, acabam cedo…


Seriam os dias o realizar desse sôfrego desejo?
Quero-te tanto!...
…e como me fazes falta!

sexta-feira, 2 de março de 2012

...


nem sei que vos diga…

se escrever é uma necessidade tão básica em mim, não escrever é apenas sinónimo de cansaço…

exausta – será a palavra que me define agora; cansada do que tenho de fazer, do que me obrigam a fazer (algumas maldades a que nos sujeitamos, são… necessárias a estabilidades básicas), cansada de abusos alheios, cansada da imensa incapacidade ou indelicadeza demonstrada por tantos…

a frase parecerá banal, mas – preciso de férias!

a definição parecerá estranha, mas, não quero ir de cruzeiro, não quero estender-me a torrar ao sol, não quero mordomias… - quereria alguns dias em que pudesse deixar o meu corpo e alma respeitarem o seu ritmo natural; simplifico: queria dormir quando com sono, comer quando com fome, ler quando querendo ler, olhando o céu quando querendo olhá-lo – e fazer tudo sem horas de relógio, apenas com horas de luz e desejo!

sonhos
impossíveis
quase sempre