o mundo está parado. parado num limbo, onde o tempo é
de decisões.
na verdade, fico siderada com a incapacidade de tantos
de entender que lhes foi dada uma oportunidade de repensar a sua vida, as suas
opções...
mas chocam os líderes de decisões deseducadas e chocam
os que usam uma crise global para enriquecer, quando tantos morrem, quando
tantos deixaram de ter como suprir necessidades básicas... era a fome já
escondida, agora mais, maior, extensa... todos os que pairavam acima do chão,
só do chão, sem rede, caem em seco e sobra o pó, incomestível...
é bom saber que os governantes deste jardim dão o seu
melhor para proteger as pessoas, mas a especulação em bens (agora) essenciais,
o aproveitamento para despedir quem fica sem chão...
é só um planeta, estamos nele e temos de unir esforços
tanto terá de ser reinventado!
é aí que me dói a leviandade... a leviandade dos que
acham que vamos voltar ao “normal” que conhecem, ao normal sem cuidados de
higiene, sem caminhos seguros... a oportunidade de reinvenção apanhou
desprevenidas muitas empresas e entidades públicas, onde as chefias vivem num
século passado e não são capazes de orientar trabalho sem um molho de papéis e
uma troca de saliva permanente... são despreparados que nunca soubera usar as
tecnologias tão básicas e próximas e insistem em formas de fazer sem sentido –
e agora ainda menos – e que não souberam nunca o tempo normal de tarefas que
desconhecem, pois são infoexcluídos demais – por opção própria, ressalve-se! –
para entenderem que tantos param meia semana numa tarefa que se cumpriria numa
hora ou duas... uns aproveitam, passando mais tempo numa vida paralela do que
no cumprir de funções, outros enlouquecem, de tanto ver parada e desaproveitada
a vida, a força, o tempo... se o trabalho fosse à tarefa seria melhor o
aproveitamento desse capital humano tão desprezado...
irão os decisores ser líderes?
a culpa é sempre do chefe (disse Baden-Powell)
está na hora de reinventar as formas de trabalho, de
valorizar o saber-fazer, de valorizar a vontade de trabalhar.
algo me incomoda... são exatamente os que souberam
libertar-se das amarras de um emprego que os inutilizava e se lançaram em
projetos pessoais, que viram cair tudo agora... duas pessoas próximas criaram
negócios que lançaram em fevereiro e março. não sei como vão conseguir... e são
dois grãos de areia numa imensa praia
lembrei-me dos “retornados”. aqueles portugueses de
alma valente que vieram para um país empequenado, onde foram massacrados,
espezinhados e se perdeu a grande força e empreendedorismo que tinham em si, a
mesma que os levou para além mar...
e se agora, os mandantes continuarem a não saber
liderar?
e se agora, os empreendedores não conseguirem chão
para se manterem sem cair?
é mais
agora é mais, é global, imenso...
ah... e a esperança de que as pessoas aproveitem a pausa
límbica para pensar, repensar, para reinventarem vida e caminho... será assim
tão vã?

Sem comentários:
Enviar um comentário