segunda-feira, 5 de novembro de 2018

muro

muro
não sei quando se ergueu essa barreira que me impede de te tocar, de chegar ao teu coração e dizer que te amo, de chegar ao teu ser que pensa e fazer-te sentir que estou aqui, lembrar quem sou e que nada mudou…
…na verdade, não sei, pois, apesar de todas as pedras, sempre me ergui, sempre construi paisagens nas margens e sempre te abri as janelas, para que visses a beleza que te rodeia…

somos ilhas… eu sei… ilhas rodeadas de um mar revolto, pejado de piranhas e tubarões daqueles que os filmes pintam de ferozes… e esse muro de coisas más é o lixo que cria a ilha onde tentamos erguer-nos e onde, por vezes, nos esquecemos que o mar também pode ser sereno, que há sol e sorrisos e que, mesmo quando entramos no mar e ele fica revolto, temos de erguer a mão e gritar, para que outros olhos limpos passem o muro e agarrem a mão que grita

murro
que derrube o muro e te mostre o céu azul e o sol e o brilho nos olhos dos que são humanos e te estendem a mão

derrubada
eu, sem conseguir que vejas para além do muro
que mur(r)o!

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