as últimas horas
foram de extravasamento da necessidade de escrever uma carta a ninguém | a
alguém que sejam os meus amigos, na certeza ou esperança de que a leiam ou não
leiam…
caros
amigos,
aproxima-se
o fim de um ano e, por hábito ou necessidade, costumamos aproveitar a quadra
para rever o feito e não feito e listar desejos ou promessas de mudança…
quase
todos os dias foram doridos. os maus dias fizeram o corpo quebrar, de aviso e
de impotência. alguns dias não consegui mexer-me, outros arrastei-me – em dores
contínuas e cansaço constante. foram dias de trabalho-porque-tem-de-ser e
desmaio até ter-de-ser de novo…
costumo
dizer que o corpo manifesta o afastamento entre o que somos e o que nos vamos
obrigando a ser… e que todos precisamos de amigos – ora a distância foi grande
em ambos
sei
que sou das pessoas mais fortes do mundo – ou não estaria, ainda, viva
apesar
de tudo
o
não-entendimento do curso que a maioria todos dão à vida (por opção ou
imitação), dando importância ao que nunca a irá ter e descurando a simplicidade
que nos faz feliz ainda não está ultrapassado. nem toda a serenidade necessária
foi alcançada
quebram-me
as obrigações (mais que os hábitos) o curso
desejos?
há um bem precioso que gostaria de ter – algo que nunca se pede. elixir do
suporte de vida
analgésicos
para a dor de não compreender, aceitando, embora, os afastamentos de promessas
desse elixir
respiro
crio
prumo para a vida que – ainda – não chegou a ser a minha
o
meu elixir espalho
a
vós, amigos, em especial: não lembro
a última vez que falaram comigo sem ser para pedir algo, vangloriar (LOL) de
quilos perdidos ou, em instância breve e de espaçamento crescente, dar um
olá-consegui-isto-na-vida, sem pachorra para partilhas bidirecionais de
tristezas ou alegrias.
estou
desejo
que possa o início de hoje ser feliz e permissor de caminhos sólidos.
que
a força esteja comigo
(mereço!
– digo eu com um sorriso rasgado…)
(e
sempre vos desejarei que convosco esteja)

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