domingo, 24 de fevereiro de 2013

Todos diferentes, mas uns, mais diferentes que outros...


Todos já ouviram - por isto ou por aquilo, porque deu nas notícias da rádio ou tv, porque veio no jornal – falar de direitos dos deficientes, de acessibilidades, de situações em que a ASAE (ou outros fiscais avulsos) sinalizaram alguma coisa que não estava de acordo com a Lei das Acessibilidades...
É, há uma lei para isso, mas não interessa muito, porque antes de chegar a altura de se cumprirem as condições de acessibilidade a satisfazer no projecto e na construção de espaços públicos, equipamentos colectivos e edifícios públicos e habitacionais - a assembleia trata de aprovar novo diploma e dar novo prazo para se pôr tudo legal (outra e outra vez – traduzindo: nunca se tem MESMO de cumprir, porque está sempre no prazo de adaptação)...
De qualquer modo, o que me chateia valentemente, é o facto de um estabelecimento ou edifício público ter de pôr à porta um dístico para provar que está de acordo com a lei – ora, de acordo com a lei terá de estar sempre! E o facto de a própria lei prever o assinalar do estar de acordo com ela é... ESTÚPIDO!
Para além do mais, os deficientes são tratados como cães! – têm um sinal à porta! (com o devido respeito pelos cães, que também não deviam ter sinais para coisas óbvias!)
Ora, penso eu que, o mais lógico seria os estabelecimentos/edifícios públicos que não cumprem a lei serem assinalados.
Substituam o sinal:                                                  pelo sinal:
                     
Ou seja, não tem lógica estar, em mil e um momentos, a lembrar que há diferenças – ser diferente é normal, e, no caso da deficiência física/motora, o que os locais têm de ser é adaptados a todos, e não apregoar rampinhas e elevadorezinhos (que muitas vezes não funcionam!) que, para que todos possam ser cidadãos, têm de existir à partida! – quer os cidadãos sejam coxos, amputados, para/tetraplégicos, cegos, loiros, morenos, carecas ou donos de uma grande gadelha! 
Democracia é ter o direito, mas não ter de estar a ser exibido por isso... não ter de passar por um espetáculo para entrar onde todos entram! Imaginem-se numa destas situações:
Querer aceder a um local público, e ter de o fazer por uma porta das traseiras?
Ter de parar uma fila de acesso para desempacotar o elevador de escada (que está escondidinho e tapadinho, em vez de funcional), com todos à espera a olhar para vocês?
Gostavam?
Se/Quando partirem uma perna, vão lembrar-se disso... (Pois, deficiência motora, temporária ou permanente, pode acontecer a qualquer um...)

4 comentários:

  1. hoje fico um bocadinho mais feliz por saber que ainda seres humanos com sensiblidade para pensar assim. As pessoas teem cada vez menos consiencia destes assuntos.

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  2. e não deviam ter mais?
    afinal... já não se escondem os "diferentes", e (?) já se planeia a educação e a sociedade...

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  3. No geral na nossa sociedade, especialmente em Portugal há pouca preocupação pelo próximo. As pessoas estão muito viradas para a sua existência e para o seu ego não tendo tempo, nem vontade de pensar nos outros. Se parassem um pouco para pensar nas dificuldades dos outros e no seu sofrimento certamente que esse tipo de situação que relatas seria muito menos frequente. Falta Humanidade na humanidade.

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  4. Temos de aprender a pensar, de novo - deixámos de ser racionais, as decisões não seguem lógica nem coração - só hábito! E este revela-se errado...
    Deu-se um grande passo, nas últimas décadas... os "diferentes" deixaram de ser escondidos entre portas!
    Mas, eu acho que discriminação positiva tem de ser "natural"... a diferença existe e é normal, em tantos aspetos, diversos...

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