No natal circulam elixires de sorriso – vontades
de ser feliz e de fazer os outros felizes…
Acoplada à época e como exigência social (e
comercial) vem o “tenho de dar uma prenda!”…
É MUITO triste que assim seja. Triste porque a
obrigação de um ato tira-lhe todo o sentido.
Eu faço parte do grupo de pessoas que adora dar
prendas, que escolhe cada uma com um desejo profundo de fazer feliz quem a
recebe.
Dou muitas? – Não. O encontro é familiar e
próximo e a disponibilidade de tempo e dinheiro foi temperada com
achaques-do-frio que encurtaram, ainda mais, cada uma delas. Embora o corpo
pedisse o abrigo de uma manta no conforto do sofá, o pedido de adiamento do
natal não é prenda concedida…
Mas, corajosamente, corri as lojas da zona de
trabalho e residência, em cada intervalinho possível, buscando a prenda ideal
para cada um. Na véspera fiz um esforço e fui a um grande centro comercial
suprir as faltas das tais “prendas ideais” nas proximidades. Já sabia ao que ia
– entrei direto em duas lojas e pedi o que queria e, de seguida, fui a uma das
que tem-sempre-algo que se adequa a prendas difíceis e escolhi (as que me pareceram
ser úteis ou mensageiras de felicidade) para os restantes presenteados. Até as
4 voltas e meia de fila na caixa passaram com facilidade.
Espero que cada um tenha ficado agradado com o
presente.
De cinzento na ceia fica a avidez de chegada da
hora – que da manhã de 25 da infância passou para a meia-noite e, no despertar
de novas gerações e exigência de deslocações, foi madrugando para as 10, 9, 8 e…
- e a estranheza do reparo por não ter cumprido a escolha de alguns de que só
as crianças receberiam prenda… - fiz questão de presentear todos!
Não que seja a prenda o mais importante… - a minha
família vive longe e, na verdade, a prenda desejada era a conversa à mesa,
momento único no ano para alguns.
Num panorama nacional, fica de cinzento bem
escuro a frase que me pululou na mente toda a ceia, por achar que podia
estragar muitos encontros familiares por esse país fora: Preferia Beirão.
Preferia Beirão? Então, da próxima, esqueça o
natal!
É que natal também é fazer um sorriso e aceitar
os presentes menos desejados ou adequados como se fossem agradáveis surpresas!
Se já tive prendas estranhas ou
nadinha-a-ver-comigo? – Sim… Algumas pessoas nem se preocupam, outras não sabem,
mesmo, escolher prendas… ficam-se pela tal obrigação.
Passei muitos anos a tentar convencer uma
familiar a substituir as meias e os lenços-de-monograma oferecidos aos homens
da família por algo diferente; a tentar explicar-lhe que dar cuecas azuis não é
agradável e, também, a tentar fazer conversa de quais os pijamas que gosto,
para não acumular mais pijaminhas de florzinhas e folhinhos a condizer com
roupõezinhos que nunca usarei… Sem sucesso!
Este ano, a cada passo da
busca-das-prendas-ideais, sonhei ser pai natal – ter dinheiro que chegasse para
me vestir a rigor e cumprir os desejos de natal: desejos das mães de família
que olham para as prateleiras de supermercado e repensam e recontam cada tostão
a tentar dar cor a uma mesa de simbolismos de felicidade; desejos afogados nas
lágrimas de cada pai e mãe que não pode pagar um presente que tenha a magia de
pôr um sorriso nos seus filhos na noite desse cear especial.
façam-se felizes!