quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

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imagem adaptada de:  freedesignfile.com

(estava a) ler

Estou a ler
porque gosto de ler,
porque ler é uma aventura,
porque ler é saber mais...
mesmo que o ler seja pouco,
mesmo que o ler seja esporádico,
mesmo que o ler seja interrupto...
mesmo que o ler seja inacabado...
estou a ler
porque gosto,
estou a ler
porque anseio
saber
aprender
conhecer
apreender...
estou a ler
quando posso,
estou a ler
porque quero,
quero sempre - 
espero poder cada vez mais,
espero fazer o tempo
chegar de novo
ao poder ler
sem que o tempo me cobre
a realização do gosto...
Ler é conhecer,
relacionar,
cruzar,
coordenar,
pensar e
poder, depois, 
escrever,
esquematizar,
idealizar,
imaginar, 
chegar,
atingir,
conhecer
...saber...

(...escrito já não sei quando...)
imagem adaptada de: www.swiss-solutions.ro

sábado, 13 de dezembro de 2014

5 ovos

Há umas horas, em conversa com uma colega, comentávamos o exibicionismo de uma "oferta" de bens essenciais feita perto de nós - com pompa e circunstância, exibindo as carências da "beneficiária" e "exigindo" um agradecimento à prole-de-"dadores" em filinha... 

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2871737/What-difference-week-makes-Cop-let-starving-mother-caught-stealing-eggs-just-hug-delivers-two-truckloads-food-feed-family-Christmas.htmlAliás, filinha sorridente que incluía as pessoas que, ao ser informadas que se pensava fazer um avio solidário, responderam violentamente que "não estavam para isso", que "não podiam andar a ajudar toda a gente"...
A ideia foi assim: cada um dava o que pudesse (tentando selecionar bens alimentares, entre todos) para provir o essencial, para ajudar uma colega com dificuldade em dar de comer à família... Confesso, jamais pensei que a ação se transformasse no espetáculo que foi e que só não foi mais aberrante pela simplicidade extrema e personalidade subserviente da colega que, felizmente, parece não ter sentido humilhação...
Lembrei, agora, por ver a notícia do roubo dos cinco ovos e a forma humana como um agente policial a resolveu... (cliquem na foto, para ver mais imagens e vídeo, assim como artigo no dailymail online).
Todos nós, por mais pobres que sejamos, podemos dar meia dúzia de ovos, um pacotinho de massinhas, uma embalagem de bolachas... ou um abraço, a quem precisa! E, um pequeno grupo (colegas de trabalho, vizinhos,...) pode fazer as lágrimas de alguém passarem de sofrimento a alegria e alívio. [com recato, por favor]
Não costumo dar alimentos para grandes IPSS, precisamente pelo "grandes", pela impessoalidade* desses sistemas e por saber que, tal como a colega que procurámos ajudar numa situação de crise, quem precisa não tem ajuda, neste país, sem apresentar primeiro um rol de documentos, que implicam deslocações, gastos, faltas ao precário trabalho que se tenha, para usufruir de... ajuda. É o sistema: precisa? então morra para provar que tem fome - depois ajudamos*.
Isto aplica-se a qualquer "benefício" (quem inventou que se aplicava este termo devia estar bêbado, cof, alcoolizadinho ou sofrer de handicap social idêntico ao das tias que fazem "voluntariado" cego-de-vida-real), seja "subsídio", bolsa-de-estudo ou outras coisas que tais.
(*)Compreendo as necessidades de regulação, o evitar de abusos, mas, há por aí muita gente de mão estendida a usufruir de apoios, gastando depois em luxos descarados como tabaco, canal desportivo, cabeleireiro, (quando não mais escandalosos, ainda)... enquanto outros não têm como provar que precisam e, efetivamente, estão desesperados, sem um ovo para dar aos filhos! Há uma coisa que se chama "bom senso". E a impessoalidade será boa, apenas se evitar humilhações ou que cada pão dado seja cobrado em desprezo... - Contudo... sei quanta arrogância pode estar no trato de uma assistente-socialzinha-que-só-se-borra-de-medo-de-etnias-ameaçadoras e trata "todo" o resto como desperdício humano!...
Quanto ao exibicionismo... poder-se-á dizer que o polícia da foto viu o seu ato publicitado e a situação exibida, mas, acho que (embora preferisse que a senhora não fosse identificada) o que passa a história é que já não estamos no tempo de Dumas, e não se prende alguém por roubar pão para a boca!

Le voleur avait jeté le pain, mais il avait encore le bras ensanglanté.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

pão-de-forma

Ao meu lado, uma mãe atarefada comia uma meia-sandwich de pão-de-forma; pouco depois, ouvi o ploc da garrafa de sumo e a pequenina a pedir um bocadinho...
Ora, o que me veio à ideia!?...
A cada aniversário, vinham crianças e enchia-se a mesa de doces, mas, sobretudo, de salgados, que as crianças preferiam.
Eram os rissóis encomendados àquela senhora que fazia para fora; era bolos, bolachas, rebuçados e as sandes de queijo e fiambre (e, sempre, umas só de manteiga, porque havia alguém que não gostava das-da-praxe) - uns triângulos bem arrumados, empilhados em pratos, feitos do pão que a minha mãe tinha de encomendar, especialmente, na padaria...
Um luxo de outros tempos, que fazia as sandwiches mais bonitas!
A criançada matava a fome e, depois, esparramava-se na carpete a brincar (nos tempos em que mudámos para apartamento e já não havia jardins, nem cobras a aparecer à porta da festa... - que desses, não guardei memória...)