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repensou a
coerência que a afastara sempre do suicídio:
ainda que nunca tivessem havido
épocas de felicidade, acusar-se-ia de má pessoa se não desse ao mundo tudo e
que tinha para dar!
? mas:
afinal, até
dádivas sem preço-posto eram mal-vindas, num mundo cada vez menos normal, onde
já todos os humanos parecem caminhar para uma desumanidade incomportável com a
sobrevivência…
toda a
utilidade não utilizada é desperdício, afinal
porque não?
era cobardia?
não! era, apenas, o desistir de uma luta sem fim e sem companheiros de batalha
– inútil, desgastante… era o não conseguir mais respirar, sequer, de tanto
aperto no peito…
lembrou os
seus pressupostos de vida: a partilha, a amizade, o amor…
? mas: em que
lugar isso tem importância? e para quem se, até os que apregoam humanidade são
como crentes que repetem ladainhas junto ao altar e ignoram ou sentem, até,
repulsa dos que gritam por pão na escada do templo?
e depois…
todo esse mundo-de-obrigação que a espanca em cada dia, pelos abusos dos que
querem ser importantes e esconder a sua pouca sabedoria, todas as humilhações
vis dos que vivem qual brincadeirinha de adolescente com as amigas, humilhando,
planeando enganos e fraudes-de-culpar-o-santo e, saindo fortes e vitoriosos,
quando ao santo resta desmaiar ao fim de cada dia de trabalho?
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