Todos já ouviram - por isto ou por aquilo, porque deu nas notícias da rádio ou tv, porque veio no jornal – falar de direitos dos deficientes, de acessibilidades, de situações em que a ASAE (ou outros fiscais avulsos) sinalizaram alguma coisa que não estava de acordo com a Lei das Acessibilidades...
É,
há uma lei para isso, mas não interessa muito, porque antes de chegar a altura
de se cumprirem as condições de acessibilidade a satisfazer no projecto e na construção de espaços públicos, equipamentos colectivos e edifícios públicos e habitacionais - a assembleia
trata de aprovar novo diploma e dar novo prazo para se pôr tudo legal (outra e
outra vez – traduzindo: nunca se tem MESMO de cumprir, porque está sempre no
prazo de adaptação)...
De
qualquer modo, o que me chateia valentemente, é o facto de um estabelecimento
ou edifício público ter de pôr à porta um dístico para provar que está de
acordo com a lei – ora, de acordo com a lei terá de estar sempre! E o facto de
a própria lei prever o assinalar do estar de acordo com ela é... ESTÚPIDO!
Para
além do mais, os deficientes são tratados como cães! – têm um sinal à porta!
(com o devido respeito pelos cães, que também não deviam ter sinais para coisas
óbvias!)
Ora,
penso eu que, o mais lógico seria os estabelecimentos/edifícios públicos que não cumprem a lei
serem assinalados.
Substituam
o sinal: pelo sinal:
Ou
seja, não tem lógica estar, em mil e um momentos, a lembrar que há diferenças –
ser diferente é normal, e, no caso da deficiência física/motora, o que os
locais têm de ser é adaptados a todos, e não apregoar rampinhas e
elevadorezinhos (que muitas vezes não funcionam!) que, para que todos possam
ser cidadãos, têm de existir à partida! – quer os cidadãos sejam coxos,
amputados, para/tetraplégicos, cegos, loiros, morenos, carecas ou donos de uma
grande gadelha!
Democracia é ter o direito, mas não ter de estar a ser exibido
por isso... não ter de passar por um espetáculo para entrar onde todos entram! Imaginem-se
numa destas situações:
Querer
aceder a um local público, e ter de o fazer por uma porta das traseiras?
Ter
de parar uma fila de acesso para desempacotar o elevador de escada (que está
escondidinho e tapadinho, em vez de funcional), com todos à espera a olhar para vocês?
Gostavam?
Se/Quando
partirem uma perna, vão lembrar-se disso... (Pois, deficiência motora, temporária
ou permanente, pode acontecer a qualquer um...)


