Quando procuramos, dia após dia, dar tudo de nós aos outros, contribuir
para melhorar o mundo, para dar alegria e saber aos que nos rodeiam, e aprender
a ser melhor, cada traição faz dos nossos olhos um peso, edemacia o nosso corpo
de alma como se tivéssemos chorado um rio... mas, as lágrimas, essas, secaram
antes de serem vertidas, ou não as vertemos por a força para tanto ter sido
consumida...
A dor da mágoa é imensa e consome todo o meu ser, fruto da traição
dos que se aproximam de pele macia de lã e picam com seus pelos de lobo macho
crespo ignóbil e perverso...
Estarei errada?
O ódio que espalham junta-se à mágoa endurecidae faz-me massa amorfa indesejada irreconhecida
esquecida na sombra da delicadeza do trato que lhes dou...
respiro
inspiro
onde estás, mão?
preciso de ti
Visto-lhes a pele?
não sei, não quero, não posso
Fecho os olhos?
como?
inspiro?
respiro?
pico, mordo e subo pelos cadáveres?
sobrevivo?
morro de sufoco?
